RELAÇÃO COM O SABER E O AMBIENTE: OLHARES DE ESTUDANTES SOBRE O RIO DOCE
DOI:
https://doi.org/10.31692/2595-2498.v1i3.62Palavras-chave:
Relação com o saber, Ambiente, Rio DoceResumo
Este artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa com estudantes do 9º ano do ensino fundamental, matriculados na Escola em Tempo Integral (ETI) do município de Governador Valadares, Minas Gerais, atingido pelo desastre provocado pelo rompimento da barragem de Fundão, situada no município de Mariana, Minas Gerais, que atingiu o rio Doce, em novembro de 2015. O estudo se insere no debate da Educação Ambiental e mobiliza as contribuições de Bernard Charlot para buscar compreender as relações que esses estudantes estabelecem com o rio Doce, como objeto de saber. Para a coleta dos dados, foi o utilizado o “balanço de saber”, instrumento adaptado com base na proposta de Charlot (2009), que consistiu na demanda da elaboração de um texto por parte dos estudantes, no qual eles foram convidados a narrar suas experiências com o rio Doce. Os balanços de saber foram lidos como um texto único, e buscamos capturar as regularidades do grupo com relação às experiências com o rio Doce, centradas nas experiências dos sujeitos com as pessoas e os lugares, entre eles, a escola. A análise indica que a relação com o saber desses estudantes se entrelaça nas relações com as pessoas e o ambiente, e é marcada pela denúncia dos impactos desse desastre, por uma postura solidária com as pessoas e com o ambiente atingido pelo processo. As conclusões possibilitam refletir sobre a importância da Educação Ambiental, transversalizando as práticas escolares no sentido de fortalecimento dos laços identitários e em uma dimensão política, nos processos desencadeados por agressões à natureza e às pessoas, como os vivenciados por um enorme contingente de grupos e populações que vivem às margens do rio Doce.
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