ENTRE DOCUMENTOS E PRÁTICAS: UMA INVESTIGAÇÃO À LUZ DA SOCIOMATERIALIDADE NOS ESTÁGIOS SUPERVISIONADOS DA FORMAÇÃO DOCENTE EM CIÊNCIAS

Autores

  • MSc. Luyta Lorran Souza da Silva Universidade Federal de Pernambuco image/svg+xml Autor
  • MSc. Mateus Henrique da Costa Universidade Federal Rural de Pernambuco image/svg+xml Autor
  • Dr. Marcos Alexandre de Melo Barros Universidade Federal de Pernambuco image/svg+xml Autor

DOI:

https://doi.org/10.31692/2595-2498.v9i1.322

Palavras-chave:

Ciências Biológicas, Estágio Supervisionado, Sociomaterialidade

Resumo

Este artigo investiga a formação docente em Ciências à luz da perspectiva sociomaterial, tomando como foco os estágios supervisionados no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas de uma Instituição de Ensino Superior Pernambucana. Parte-se do entendimento de que a Educação Superior é um espaço sociomaterial em que documentos, currículos, professores, estudantes e recursos materiais interagem de maneira contínua, configurando práticas pedagógicas que não podem ser reduzidas apenas à dimensão normativa. Nesse sentido, currículos, Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) e legislações nacionais não se limitam a registros formais, mas atuam como actantes que exercem agência na organização da formação inicial de professores. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter documental, fundamentada na análise de leis, pareceres, resoluções e no PPC do curso investigado. O procedimento de análise foi conduzido pela Análise Textual Discursiva (ATD), tendo a Teoria Ator-Rede como lente teórica para compreender as relações entre humanos e não humanos que compõem a rede educativa. Os resultados indicam que o currículo e o PPC desempenham papel central na organização de tempos, espaços e práticas formativas, funcionando como mediadores que articulam exigências externas e necessidades internas da instituição. Observou-se que, enquanto as disciplinas específicas contam com laboratórios, saídas de campo e outros espaços materiais, as disciplinas pedagógicas se vinculam quase exclusivamente às escolas, sobretudo por meio dos estágios supervisionados, configurando-os como eixo estruturante da formação docente. Conclui-se que tanto o currículo quanto o colegiado não são elementos neutros, mas agentes que reconfiguram continuamente a formação docente, possibilitando brechas para inovação, ao mesmo tempo em que mantêm vínculos com estruturas normativas. Essa perspectiva sociomaterial permite compreender a formação docente como resultado de negociações constantes entre documentos, práticas e elementos materiais, evidenciando que a rede educativa é sempre instável, dinâmica e passível de transformação.

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Biografia do Autor

  • MSc. Luyta Lorran Souza da Silva, Universidade Federal de Pernambuco

    Professora de Ciências/Biologia na Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio Professora Azinete Ramos Carneiro, Mestra em Educação em Ciências e Matemática pelo PPGECM (UFPE), Especialista em Práticas Pedagógicas pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pesquisadora no grupo de Pesquisa em Educação, Políticas Públicas, Inovação e Tecnologias da UFPE Já atuou como estagiária na Escola Estadual Maria da Conceição do Rego Barros Lacerda, participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à docência (PIBID), foi monitora da Disciplina de Química Aplicada a Biologia e três vezes monitora voluntária da disciplina de Estágio em Ensino de Biologia 1, também participou de extensões universitária.

  • MSc. Mateus Henrique da Costa, Universidade Federal Rural de Pernambuco

    Doutorando em Ensino das Ciências pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Mestre em Educação em Ciências e Matemática pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Licenciado em Química pela UFPE e em Biologia pelo Centro Universitário Venda Nova do Imigrante (UNIFAVENI). Possui duas especializações pela Universidade Federal do Piauí (UFPI): Ciências da Natureza, suas Tecnologias e o Mundo do Trabalho e Currículo e Prática Docente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Atua como pesquisador na linha Sociomaterialidade e Educação, vinculada ao Grupo de Pesquisa Educação, Políticas Públicas, Inovação e Tecnologias (GPEPPIT), integrado ao Programa Educacional Polinizar da UFPE. Também é pesquisador na linha de Didática, Formação de Professoras(es) e Ensino de Ciências, no âmbito do Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão UMBU: entre a vida, o ato de ensinar-aprender e a formação de professoras(es) da UFPE. Ademais, desenvolve atividades de pesquisa junto ao Núcleo de Pesquisa e Extensão em Formação de Professores e Interdisciplinaridade (NUPEFOPI), da UFRPE. Atua como professor de Química e Ciências no Colégio Inovar. Foi Docente Extensionista no Programa de Pré-Vestibular da Universidade de Pernambuco (PrevUPE) nas edições de 2023 a 2025, além de ministrar as disciplinas de Ciências, Química e Biologia no Colégio Nova Alternativa. Possui experiência como consultor educacional e professor formador em cursos de formação continuada para docentes dos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental, especialmente nas regiões do Agreste e da Mata Sul pernambucana. Durante a graduação, integrou programas de Iniciação Científica (PIBIC), Iniciação à Docência (PIBID), Residência Pedagógica (PRP) e Monitoria Acadêmica. Foi também representante estudantil e diretor de Assistência Estudantil do Diretório Acadêmico Ricardo Ferreira (Química-Licenciatura da UFPE) entre 2019 e 2020. Seus principais temas de interesse abrangem: Sociomaterialidade, Ensino de Química, Formação Inicial e Continuada de Professores/as, Pedagogias Emaranhadas dos Espaços de Aprendizagem, Teoria da Complexidade, Currículo e Políticas Curriculares.

  • Dr. Marcos Alexandre de Melo Barros, Universidade Federal de Pernambuco

    Licenciado em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Frassinetti do Recife (UniFafire), especialista em Informática na Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre e doutor em Ensino das Ciências pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com estágio doutoral na University of Wolverhampton, Inglaterra, e com pós-doutorado pelo Kings College London, Inglaterra. Professor adjunto do Centro de Educação da UFPE (Recife) e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática no campus Caruaru. Atua como avaliador do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes/MEC), coordenador do Programa Educacional Polinizar e do Programa de Extensão Imersão Educacional, além de liderar o Grupo de Pesquisa em Educação, Políticas Públicas, Inovação e Tecnologias. Avaliador Ad hoc da Pro-reitoria de extensão da UFBA. É também investigador convidado do Centro de Investigação em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária (CEAD), da Universidade do Algarve (Portugal).Integra a European Society for Research in Adult Development (ESRAD) e a International Association for Mobile Learning. Em 2017, foi agraciado com o Prêmio Desafio Município Inovador em Educação, promovido pela Fundação Joaquim Nabuco (MEC). Em 2026, recebeu o prêmio da Sociedade Brasileira de Computação com a Melhor Proposta para Docentes no SRBC+. Sua trajetória está marcada por experiências e pesquisas nas áreas de cultura de inovação, sociomaterialidade, metodologias de aprendizagem, tecnologias digitais e pedagogias decoloniais, com forte defesa de uma educação inclusiva, antirracista e imersiva.

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Publicado

30.04.2026

Como Citar

ENTRE DOCUMENTOS E PRÁTICAS: UMA INVESTIGAÇÃO À LUZ DA SOCIOMATERIALIDADE NOS ESTÁGIOS SUPERVISIONADOS DA FORMAÇÃO DOCENTE EM CIÊNCIAS . INTERNATIONAL JOURNAL EDUCATION AND TEACHING (PDVL) ISSN 2595-2498, Brasil, v. 9, n. 1, p. 21–40, 2026. DOI: 10.31692/2595-2498.v9i1.322. Disponível em: https://ijet-pdvl.institutoidv.org/index.php/pdvl/article/view/322. Acesso em: 9 jul. 2026.

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